Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

Desafio nº2 - E agora?


Ok. Vou acreditar que você fez a tal lista dos sonhos adiados, que lhe apresentei no meu primeiro desafio.


Aconselho-a a sentar-se num local onde tenha privacidade (coisa que para qualquer mulher é realmente difícil!) e seguir os passos que lhe sugiro. Comece por reler a sua lista.

Se por acaso entre os seus sonhos constam alguns como ser Top Model, Hospedeira (quando eu era nova, todas nós sonhávamos com esta carreira!), ou qualquer outra ideia desde género, temos mesmo que ser realistas: Não vale a pena!

Claro que depende de quem me está a ler. Se você for jovem e tiver ainda a vida toda pela frente, então vá à luta.


Mas seja verdadeira consigo mesma: Seja cruel, se preferir esta definição. O espelho é algo muito que nos transmite aquilo que queremos ver.
Para muitas, a imagem que nos apresenta é bem pior do que somos na realidade, mas outras vezes, o nosso olhar deturpa a verdade dos factos.
Voltemos pois ao início.


Se não se enquadra neste grupo, se o seu sonho é um desafio que até podia tornar-se realidade, o que fazer a seguir?

Vou dar-vos o meu exemplo, porque creio que é sempre mais prático visualizarmos algo concreto.

Entre os muitos sonhos por realizar, posso nomear dois para começarmos:
- Queria tirar um curso de fotografia.
Sou uma apaixonada pela arte de fixar momentos, não tenho jeito nenhum, e para piorar as coisas, as máquinas digitais tiraram a magia ao universo da imagem.

 

Porque não tiro eu um curso de fotografia:
1. Não tenho tempo;
2. Não tenho dinheiro;
3. Não vou poder comprar o material;
4. É um luxo desnecessário.

 

Olhem para a minha lista e creio que encontraram algo em comum com todas as não razões que vocês escreveram e que vos impede de concretizar os tais desejos escondidos.

Porque nós mulheres vivemos desde muito cedo com o peso da responsabilidade. Responsabilidade sobre a nossa vida, a dos nossos filhos e conjugue. E mais tarde, mais ou menos por volta da minha idade, vem o resto. Os pais que precisam de nós, os netos.

Fomos educadas a culpabilizarmo-nos sempre que pensamos em nós. Claro que sei que existem muitas mulheres com outro tipo de vida, mas essas, não entram nesta conversa.
A maioria o que tem a mais em dinheiro, tem a menos em felicidade, mas essa é outra conversa que fica para outro dia.

Efectivamente, eu sei, se quiser ser verdadeira comigo mesma, que posso refutar cada uma das razões que me impedem de levar por diante o meu sonho:


1. Não tenho tempo - Existem cada vez mais locais onde tirar este (e muitos outros) curso em horário pós-laboral, e a casa não ia a baixo se eu me ausentasse!


2. Não tenho dinheiro – Certo. Farto-me de trabalhar porque não vivo dos rendimentos (não os tenho) e mesmo contrariando a ideia generalizada de que quem trabalha em televisão ganha muito dinheiro (tenho muita pena de vos desiludir) a verdade é que tenho mesmo que contar os tostões, agora euros.
Mas eu nem sei quanto custa o curso. Nunca tentei saber e provavelmente até não será assim tão caro. Simplesmente eu desisti antes de começar.


3. Não vou poder comprar o material – Vende-se em segunda mão e claro que não é necessário começar com algo excepcional!


4. É um luxo desnecessário – Pois. Tudo o que me diz respeito é um luxo! O que se passa comigo? Ao fim de tantos anos a lutar, a educar três filhos sozinha, a acumular empregos ainda não me respeito o suficiente?!


Aqui estou eu, de coração aberto, a falar-vos de um dos meus pequenos sonhos. Mas posso jurar que o tenho há tanto tempo que quando olho para as coisas, é como se estivesse a tirar fotografias na minha cabeça!

Uf! Não é fácil fazer este exercício.
Mas se você conseguir pegar num, apenas num para começar, dos seus desejos adiados e fizer este exercício, vai valer que vale a pena!
Por mim, assumo aqui o compromisso com as minhas leitoras que vou mesmo dar os passos necessários para concretizar este sonho.


E você?

Por favor, partilhe connosco o desafio que vai iniciar, ou porque não o vai fazer.

Há algo que temos que aprender com os homens: a união faz a força e se conseguirmos juntar emoções, esperanças e desilusões, talvez venhamos a adquirir força para avançar.

Para a semana cá vos espero. Não prometo ter novidades sobre este meu projecto porque estou num momento de muito trabalho (pronto, lá estou eu a arranjar desculpas!)...

Bem, até para a semana com o Desafio nº3.

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publicado por Luísa Castel-Branco às 11:11
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4 comentários:
De Maria a 4 de Novembro de 2007 às 21:12
Tenho 25 anos e já começo a sentir os anos passar (ui se a minha mãe, avós ou tias me ouvem dizer isto!)! Mas a realidade é que para todos os meus sonhos consigo sempre encontrar pelo menos 5 razões para não os concretizar. Quero um carro novo, tenho um com 11 anos mas que continua a andar (dá problemas dos quais estou farta mas...continua a dar para o gasto...por enquanto...). Quero renovar o guarda roupa, sou vaidosa como qualquer outra mulher...Quero comprar todos os livros que não comprei porque achei que 20 euros era um assalto à mão armada. Quero ir ao México. Quero comprar uma casa. Quero casar. Quero ter filhos. Quero um emprego melhor que me dê vontade de levantar da cama todas a manhãs e que para o trabalho que dá seja no mínimo bem pago. Quero construir algo meu, quero um projecto que me venha a dar frutos no futuro. Quero...tanta coisa...A questão é que para qualquer uma destas coisas consigo arranjar as tais razões para não as fazer sendo uma delas uma lista de prioridades que faço tenções de seguir. Porque para tudo isto é preciso dinheiro, e para ter mais dinheiro o emprego tem que ser outro. Chego é sempre à triste conclusão de que se não for pelo dinheiro é pelo dinheiro, porque para poder comprar um carro a prestação da casa, do carro do namorado e de tudo o resto teria de deixar de pesar tanto. Porque para casar e preciso dinheiro, porque para ter filhos mais vale tê-los quando houver condições financeiras para educá-los e proporcionar-lhes uma boa vida...Tem razão...o "ter" dinheiro só por si não faz a felicidade, mas considero uma utopia dizer que não ajuda. Tudo na vida, com conta, peso e medida, traz felicidade.
Um bem haja a todas!


De Paula a 8 de Novembro de 2007 às 17:37
Olá, o meu nome é Paula, tenho 41 anos feitos no passado dia 4 e adoro viver... É certo que temos sempre muito ainda por fazer, mas vamos fazendo a pouco e pouco. Com 21 anos casei-me apesar de dizer que só casaria quando tivesse um emprego fixo, percebi que nunca mais casaria. Aos 23 anos tive a minha filha, apesar de dizer que só gostaria de ter filhos quando a minha situação profissional fosse estável, também aí percebi que muito tarde teria filhos. Já casada e com a minha filha crescida consegui entrar para o quadro de pessoal. Aos 26 anos recomecei a estudar (de noite), pois só tinha o 9º ano, aos 28 anos tive o meu filho. Aos 32 anos divorciei-me e com uma interrupção no estudo consegui terminar o meu curso aos 39 anos. Tudo isto entre outras situações pessoais que tive que resolver por causa do divórcio (que também fui eu que quis) cá me fui aguentando PORQUE tenho muita esperança no dia que vem a seguir. Sou muito optimista e quero muito transmitir esse optimismo a todas as pessoas que leiam este comentário. Por favor se têm vontade de fazer FAÇAM, pode ser hoje ou amanhã mas façam, não arranjem desculpas, porque depois de feito olhamos p'ra trás e sentimos um orgulho enorme... CONSEGUIMOS...
Eu tenho conseguido apesar de todas as condicionantes e o principal é que tenho dois filhos que ADORO e que são muito meus amigos... Entendem e respeitam a minha luta que também é deles.
Um abraço a todas as mulheres que pensam que não conseguem, mas que eu tenho a certeza que conseguem!


De ACCF a 18 de Novembro de 2007 às 22:49
Passei por este site por mero acaso e este artigo despertou-me a atenção, pois revi-me no assunto abordado!!
Tenho 39 anos e uma profissão que para muita gente é magnifica, encantadora e deve transpirara alegria, pois é com crianças. Sou educadora de infância. Poderia de facto sentir-me realizada com o que faço, mas não. Eu realmente trabalho pq preciso de pagar as contas, incluindo nestas o sustento do meu filho, cujo guarda me foi dada após o divórcio. Não me sinto de modo algum realizada com o que faço, não podendo no entanto dizer que detesto a profissão. Lá vou fazendo, cumprindo com responsabilidade as minhas tarefas, de modo a não me sentir negligente. Nunca permitiria isso a mim mesma.
Mas onde eu queria chegar, era ao seguinte: eu acomodei-me à situação e nunca me dei ao trabalho de tentar mudar de profissão, ou de pelo menos fazer algo paralelo que me faça sentir bem e em parte realizada. e o curioso é que é exatamente pelas razões que a autora deste artigo refere.
Na verdade, nós vamos sempre dando desculpas e adiando coisas, por mero comodismo e não tanto pela falta de tempo ou de dinheiro,
O que eu gostava mesmo era de fazer um curso de pintura ou de alguma coisa relacionada com arte e nunca me dei ao trabalho de procurara o sitio ou as condições para o fazer.
Enfim, sempe as desculpas de sempre.
Mas não concordo que devamos permanecer acomodadas no nosso mundinho, achando que já temos o destino traçado e que daquilo não vai passar.


De mario a 19 de Novembro de 2007 às 20:15
acho que ninguem deve fazer listas dos seus sonhos devia apenas realiza-los........o meu nome é mario e tenho 16 anos novaisrusso@sapo.pt.......para qualquer um que queira comentar este e outros assuntos


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Vox pop - E viva Campo de Ourique e as histórias felizes!

Fui lá armada em esperta. A intenção era saberm se aquelas mulheres que ali trabalhavam no Mercado de Campo de Ourique tinham sequer sabido da comemoração do Dia Internacional da Mulher.

E não é que todas, apenas uma excepção, tinham recebido presentes, eram casadas há mais anos do que imaginamos que ainda existam casamentos em Lisboa ?!

Toma lá Luísa para aprenderes!

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