Terça-feira, 15 de Julho de 2008

O verdadeiro sofrimento

 

Ex.ma Senhora
 
Sou uma pessoa com cinquenta anos e desde os quarenta que sofro de uma doença sem cura. Tenho vivido momentos, tal como outros de sofrimento violento tendo passado grande parte desse tempo no hospital dadas as características da doença que vai fazendo estragos até à hora do nascimento ou da doença. Ultimamente tenho lutado duramente contra o que ela é capaz tendo até publicado um livro “A Pétala Negra e a Esperança”.
Neste momento sinto necessidade de conversar com alguém sobre algo que se passa comigo que é o seguinte:
 
Tenho momentos em que me sinto bem e simultaneamente momentos em que me sinto mal.
 
Será que tudo isto se deve ao facto da Lei da atracão de pólos opostas e pensamentos diferentes colidem?
Outro facto importante, é que o esforço que tenho vindo a fazer para evitar as confusões que antes havia, de nada vale pois nada que seja dito por mim faz sentido segundo eles. Querem que seja igual ao que era aos 40 anos. De nada vale o esforço apesar de terem toda a liberdade não fazendo tão pouco reconhecimento da minha evolução que penso positiva.
 
Daí a necessidade de poder conversar com alguém.
 
Obrigado!
Desculpe o incómodo!
 
Meu Caro,
Não é incomodo nenhum, bem pelo contrário.
Daquilo que me apercebo do seu texto, a doença que há dez anos o atacou deve ser extremamente demolidora, física e psiquicamente.
Percebo quando fala nos seus momentos alternados de boa e má disposição. Mas na verdade, estou a ser arrogante ao dizer que percebo quando o que deveria escrever é que creio entender e nada mais.
Apenas quem sofre pode falar do sofrimento.
Todos nós que tentamos consolar, apoiar, enfim, estar ao lado de quem padece apenas podemos ter a imagem da dor e nada mais.
Não sei se será a lei da atracção de pólos opostos, ou simplesmente algo que permanece dentro de nós e nos agarra à vida, e ás pequenas coisas que por momentos nos fazem sorrir. E depois vem a realidade.
E nessa realidade insere-se a vontade das pessoas que o rodeiam de que volte a ser quem era antes.
Todos queremos fugir do sofrimento, todos temos medo da morte e no nosso subconsciente vive o fantasma do relógio gigante que o universo tem guardado para cada um de nós, como se o nosso dia e hora estivesse há muito destinado.
Só você pode saber o que sente, e como lidar com esta nova realidade que a doença lhe trouxe.
E os seus esforços que lhe parecem passar despercebidos aos outros, só levam quem o ama a querer mais, a querer ter de volta a pessoa que já foi.
É com arrogância que comparo a minha experiência de vida com a sua, eu sei, mas são já muitos os anos em que a falta de saúde, por múltiplas razões é uma sombra constante na minha vida.
E aprendi que não há grande espaço de partilha.
Os outros, os que realmente me amam, a esses não quero ver sofrer ou preocuparem-se comigo, quando aos amigos, ah! a vida é curta e o medo do fim é muito grande!
Volte sempre e continue a lutar e a fazer progressos.
publicado por Luísa Castel-Branco às 08:57
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Fui lá armada em esperta. A intenção era saberm se aquelas mulheres que ali trabalhavam no Mercado de Campo de Ourique tinham sequer sabido da comemoração do Dia Internacional da Mulher.

E não é que todas, apenas uma excepção, tinham recebido presentes, eram casadas há mais anos do que imaginamos que ainda existam casamentos em Lisboa ?!

Toma lá Luísa para aprenderes!

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