Domingo, 18 de Novembro de 2007

O que fazer aos homens?

Boa noite cara Luisa,
 
Apanhei o meu marido ( vivemos juntos há cerca de dois anos) a receber mails de chat´s tipo só adultos meetic etç. Fiquei desapontada e furiosa ao mesmo tempo por me considerar enganada.
Confrontei-o com a situação diz que foi só curiosidade nada mais .
 
Um colega dele já com 50 anos passa a vida nestes chat´s dos meetics tem a mania que é garanhão, e o meu marido pelos vistos está a segui-lhe o exemplo. Fiquei muito triste com esta situação ainda mais que temos um filho pequenino de  meses e que começamos há um ano um negócio juntos, eu financiei e ele arrancou com o projecto e tem conseguido andar para a  frente.
 
Eu estou confusa por um lado quero acreditar nele que diz que foi só curiosidade e que era incapaz de me trair ( nos vivemos um segundo casamento ele já foi casado e eu também e vivemos com os meus dois filhos do meu anterior casamento), ele parece-me honesto , mas como eu também nunca pensei que ele se inscreve-se nestas coisas não sei o que hei-de pensar , mas também reconheço que andar sempre atrás do telemóvel dele ou das senhas dos mail´s não é solução.
 
O que hei-de fazer ignorar o que aconteceu? Tento ultrapassar  ? fiz-lhe a mala para ele sair de casa e ele não saiu mas também viu que eu não estava a brincar , digo eu?
 
Aguardo o seu conselho.
 
Obrigada
 
SF
 
Cara Amiga,
 
Nunca foi tão oportuno o titulo deste blog!
É que efectivamente não sou mesmo especialista em coisa nenhuma e por isso esta conversa que entabulo consigo tem apenas essa característica, uma conversa entre duas mulheres.
 
Li e reli o seu texto e a primeira surpresa que tive foi verificar que efectivamente os meus 53 anos modificaram a minha personalidade.
Porque a primeira reacção que tive foi pensar: Mais um mentiroso, o melhor mesmo é cortar o mal pela raiz e pô-lo com dono!”
Mas, logo de seguida, veio-me à memória (coisa maldita e fantástica ao mesmo tempo!) que ao longo do meu caminho fiz muitas asneiras, trilhei caminhos pelos quais não caminharia hoje.
E estou arrependida disso e de muito mais.
 
Por isto tudo, voltei a respirar fundo e pensei:” Somos todos humanos, e todos erramos”.
O problema, minha amiga, é que aquilo que para nós está errado pode não o estar para o outro que temos ao nosso lado.
Também hoje tenho que reconhecer que o mundo dos homens e das mulheres é tão distinto como a noite do dia.
A maioria de nós mulheres necessita de amor para se envolver com uma terceira pessoa. Pode ser apenas a imagem ou o sonho do amor, mas precisamos desesperadamente de esse romancear da realidade para alimentarmos a paixão.
Os homens, em contrapartida, não sentem qualquer relação entre sexo e amor, isto é, podem ter relações sexuais com uma mulher amando de verdade outra.
Demorei muito a compreender que isto é mesmo verdade. E creio que a explicação é estupidamente simples: os homens são criaturas também elas simples. Assemelham-se aos outros machos do reino animal e as suas necessidades físicas, há muito provado iguais às das mulheres, determinam os seus pensamentos e actos.
O que para nós parece impossível (não posso generalizar em nenhum dos casos, porque existem sempre excepções), para eles é normal.
 
Onde é que isto nos deixa?
Bom, sinceramente, acredito que nos cabe a nós delimitar as fronteiras do que consideramos certo e errado, do aceitável ao não aceitável.
A Net trouxe novos locais de busca de prazer, e por alguma razão a palavra “sexo” é a mais utilizada em todas as buscas.
 
Posso aferir do que me relata no seu email que o seu marido lhe é infiel?
Não creio que seja o caso. Mas por outro lado, é certo que a necessidade de procurar na Net esse outro lado do sexo, essas terceiras pessoas, que são virtuais por pouco tempo, indica claramente que não é suficiente o que ele tem em casa.
 
Concordo consigo no que diz respeito a andar a vigiar o telemóvel ou o computador dele. É rebaixarmo-nos a um nível inadmissível.
 
Contudo, quando a duvida e a incerteza se instala numa relação, é como uma erva daninha cujas raízes vão crescendo e correndo tudo.
 
Houve uma parte do seu relato que me deixou pensativa. Diz que arrancaram com um projecto que você financiou.
 
Bom, minha amiga, é certo e sabido que, mesmo os homens mais jovens, continuam a lidar mal com o novo papel da mulher na sociedade.
 
E se há algo que lhe posso garantir, é que numa relação quando uma mulher tem mais capacidade financeira do que o parceiro, a barra é muito pesada, mesmo que ele negue vezes sem conta!
 
E numa relação, o normal é haver um dos lados que é mais forte que o outro, ou se quiser, é-nos colado um rotulo e não temos hipótese de fugir.
 
Resumindo, o melhor conselho que lhe posso dar é que seja firme e clara nas regras que exige para a vossa relação.
 
E depois, minha amiga, eu sei que é difícil de acreditar, mas aceite a minha experiência. Não existe absolutamente nada que tire mais do sério um homem do que encontrar uma mulher que o deixa sem capacidade de resposta, por não conseguir adivinhar ou compreender as suas reacções.
 
Assim, ele espera que você ande de sobreaviso e desconfiada.
Desarme-o! Uma vez feita a dita conversa sobre os limites e parâmetros da relação, ignore-o.
 
Ostensivamente. Nunca o deixe saber que se preocupa com o tempo que ele passa no computador ou aquelas abençoadas conversas no telemóvel a meia voz.
 
E mude a sua rotina. Desapareça de vez em quando sem lhe dizer o que vai fazer e quando chegar a casa seja doce como um colher de mel!
 
Vai ver que resulta. Eles não conseguem viver sem terem a certeza do território que pisam.
 
Para finalizar, uma palavra que talvez não queira receber.
O que tem que acontecer, acontece.
Se esse ainda não é o seu caminho, um dia saberá reconhecer os sinais.
 
Até lá, não deixe cair os braços, mas acima de tudo, não faça nada de que se venha a envergonhar.
 
O mais importante é o respeito por nós mesmas. No final das contas, é tudo o que importa, independentemente de quem está ou não ao nosso lado.
 
Vá dando noticias.
 
Um beijo e até breve
 
 
publicado por Luísa Castel-Branco às 11:13
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Vox pop - E viva Campo de Ourique e as histórias felizes!

Fui lá armada em esperta. A intenção era saberm se aquelas mulheres que ali trabalhavam no Mercado de Campo de Ourique tinham sequer sabido da comemoração do Dia Internacional da Mulher.

E não é que todas, apenas uma excepção, tinham recebido presentes, eram casadas há mais anos do que imaginamos que ainda existam casamentos em Lisboa ?!

Toma lá Luísa para aprenderes!

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