Domingo, 18 de Novembro de 2007

Um buraco no estômago

Bom dia
 
É a 1ª vez que faço uma coisa destas e tenho algum receio pois não sei como isto funciona e muito menos se o que me levou a este contacto vai de encontro às suas expectativas neste seu blog.
 
Tenho 45 anos e apesar do computador ser a minha ferramenta de trabalho, sou uma "bronca" nestas coisas da internet! Fujo mesmo dela e é por isso que "Posts", "blogs", "ligações" e outros similares são para mim chinês.
 
Creio que agora deverá estar a pensar "então o que fazes aqui?"
 
É que eu estou com um daqueles "buracos no estômago" e resolvi tentar distrair-me com o bichinho da internet. Logo que iniciei a minha investida, deparei com o seu nome e, porque admiro a sua frontalidade,  coragem e alguns outros predicados que captei na Luísa (permita-me que assim a trate), durante alguns programas televisivos, entrevista na  rádio e em uma ou outra revista/jornal, entrei logo.
 
Desde logo, adorei o "Especialista em coisa nenhuma". É que a grande maioria tem a mania que é especialista em quase tudo e quando falamos com alguém dessa maioria, não percebemos no que, afinal, não são especialistas.
 
Olhe, para já, fico mais aliviada e contente porque constato que já temos uma coisa em comum: também sou especialista em coisa nenhuma.
 
Continuando a bisbilhotar este seu blog fiquei surpresa e pensativa porque algumas das suas observações aplicam-se 100% ao meu actual estado de espírito e fiquei surpreendida pois parece que não sou a única a dizer que me arrependo de uma ou outra coisa que fiz e, sobretudo, do que deixei de fazer. Mas sabe, o que mais me irrita? Não é o que fiz, pois se fiz está feito e não posso desfazer o que fiz, o problema está no que deixei de fazer! Deixei de fazer... e depois? Não posso passar a fazer? Acho que sim, acho que muito do que deixei de fazer posso voltar a fazer, só que... falta-me a coragem; é aquela coragem e força que admiro na Luísa.
 
E é esta a minha pergunta: onde e como se vai buscar a coragem e a força quando temos o tal buraco no estômago?
 
Pode-lhe parecer uma pergunta ridícula mas é a que tenho feito a mim própria há já "muitos dias e noites em branco". É que, no que me respeita,  às célebres frases "vais-te divertir à grande" e "é uma questão de tempo" ainda estão para confirmar. Devem ter a sua lógica, mas até lá sinto-me um bichinho do mato, uma peça sem valor e desgastada,  mais perto de uma "cota" à beira de uma crise de meia-idade do que daquela "miúda" (como os mais próximos me tratam) bem-disposta e decidida.
 
Gostava muito de saber qual é o seu palpite como especialista em coisa nenhuma e não se preocupe em ser 100% frontal pois mesmo que eu não venha a apreciar o que tiver para me dizer (normalmente não gostamos de ouvir as verdades) já foi um consolo poder partilhar este meu desabafito com alguém que ainda por cima muito considero e se disponibiliza para nos responder.
Muito Obrigada,  felicidades e êxito para o seu blog
 
Margarida
 
Minha amiga,
Com toda a certeza que lhe vou dar um desgosto, enfim, não muito grande porque sei que não sou suficientemente importante para tal, mas tenho que ser verdadeira consigo e comigo mesma e dizer-lhe que não sou de forma alguma a pessoa que reconhece, e na verdade, eu sei que transmito essa imagem de força, poder e muito mais, quando na verdade a maior parte das vezes sou uma pessoa profundamente pessimista, que aprendeu a conhecer o medo e sinto muito dizê-lo, desconheço o que seja a felicidade enquanto estado normal de vida. Só sei o que são momentos felizes.
 
A tristeza habita-me de forma permanente e a solidão, a vida inteira me pesou como um casaco molhado.
Por culpa minha, tenho que o reconhecer, existem pessoas com muito menos e que são felizes, que aceitam a vida sem questionar os porquês de tudo e de todos.
 
Mas tenho que lhe dizer que não tive muito tempo para ponderar sobre isto que tudo. Porquê? Porque tinha três filhos para sustentar, que não tinham pedido para nascer e a quem eu devia o mundo inteiro.
 
Deus ou os Deuses ou o Universo, como quiser têm formas estranhas de nos levar pelo caminho da vida.
Porque aqui estou eu, e de tantas vezes que cai que já nem consigo recordar quantas foram, mas a verdade é que me levantei sempre.
 
E agora passo à sua pergunta:
Onde e como se vai buscar a coragem e a força quando temos o tal buraco no estômago?
 
Para começar, fingimos. E muito.
Procuramos colar um sorriso na cara e andar para a frente, porque sabemos que os outros não têm a culpa do que sentimos bem dentro de nós.
E depois, mesmo sem escondermos esse “buraco no estômago” as pessoas associam a nós imagens das quais não podemos fugir.
Tal como refere no seu texto, os que a rodeiam vêem na como “uma miúda bem disposta” e aposto que a maior parte dos dias acorda e olha-se no espelho e o que vê está longe de corresponder a essa ideia.
 
Mas, os quarenta e cinco anos parecem mesmo que o melhor da vida já passou.
Contudo, por vezes o que nos espera no caminho são as melhores surpresas!
 
Desde que não baixemos os braços e não deixemos o medo tomar conta de nós.
 
Comecei a fazer televisão aos quarenta e seis e rádio aos cinquenta e dois. E se alguém me dissesse que isto ia acontecer, eu rebentaria a rir.
 
Mas a razão porque aconteceu, foi apenas uma: total inconsciência pela minha parte.
Juro-lhe que é verdade. Atirei-me de cabeça, e sem rede lá fui andando.
 
Claro que nem toda a gente acaba um dia a trabalhar nesta área, mas também o que importa?
Eu tenho a perfeita noção, como lhe disse no inicio, que a minha importância é nula e a minha notoriedade igual à validade de um iogurte.
 
Mas o que fiz eu para fugir desse buraco no estômago?
Nem imagina!
Aula de Ikebana, tentativa de curso de japonês, mais aulas sobre bonsai, mais... a lista é imensa.
 
Vivi sete anos sozinha com os meus filhos, e quando eles saiam ao fim de semana para estarem com o pai, vinha-me aquela dor surda da solidão total. E por isso fui preenchendo o tempo.
 
É esse o meu conselho que vale o que vale.
Preencha o seu tempo. Procure novos desafios, mesmo que sejam pequenos, mas que lhe afastem a mente dessa dor, e por momentos, a levem para um momento de paz e descontracção.
 
Se tem amigos, óptimo.
Mas todos sabemos que a vida corre demasiadamente depressa e pouco a pouco vamos percebendo que é cada vez mais difícil acompanhar os amigos de sempre, quando nós estamos diferentes, muitas vezes deixamos de ser um casal e somos apenas uma pessoa perdida.
 
Não tenha medo do ridículo. Avance para aulas de dança ou de pintura.
Vá em frente e esconda o seu “buraco no estômago” até ele diminuir o suficiente para conseguir viver sem lhe cortar a respiração.
 
Vá em frente. E dê noticias.
 
Um grande beijo solidário de quem conhece bem essa realidade.
 
 
 
publicado por Luísa Castel-Branco às 11:17
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