Domingo, 18 de Novembro de 2007

Obrigada por esta lição de vida!

 
Que angústia.....
 
Foi esse o sentimento que as palavras de Luísa me fizeram sentir.....não pelo facto de ver a morte como uma sentença... mas por ver o cancro como um castigo pesado dos Deuses... do qual só se escapa com a morte! E que maneira de partir.......!
A morte é realmente o que de mais certo temos na vida, no entanto, esquecemos que um dia ela (a morte) virá!
Mas de que forma!?
A grande maioria não sabe.... mas para aqueles a quem a sentença de morte, perdão, de doença crónica (o cancro) atingiu, tem data marcada!
O que poderá ter isso de bom?!
Temos a oportunidade de corrigir certos erros, de melhorar como indivíduos ,
 
de valorizar a vida enquanto dura, de amar mais a quem nos ama, de sorrir, de passar a esperança à nossa volta, de passar a palavra sobre a dádiva da vida e do sofrimento que implica passar por isto...dar um prazo à vida é valorizá-la imediatamente por curto que seja esse prazo!
Com muito ou pouco sofrimento..........mas o inevitável está à nossa espera.....com hora marcada!
Mas não somos diferentes, nem injustiçados, pelo contrário, temos a opção de
 
passar por esta vida com mais consciência do nosso papel, como seres mortais
 
que somos.......como todos!
Dizer a alguém que a caminhada vai terminar em breve.......
Dizer a alguém que a amamos muito.....
Dizer a alguém que sem ela não existiríamos .......
Dizer a alguém que nunca a esqueceremos.........
Dizer a alguém que não deve temer e ser corajoso todos os dias......
Dizer a alguém que vai estar sempre a seu lado....até ao final!
É isso que espero quando a hora do encontro final chegar.... não um sorriso,
 
uma recordação... quero muito mais!
Minha amiga é isso que é o importante.........!!!
Nunca o que vai deixar de viver, não sabe.....
Não o que se vai perder.......nem como se vai perder.....valorize o momento....agora! Só isso importa!
O importante é a vida, nunca a morte! Por isso não a valorize......é apenas um momento.......
Ame sempre, a todo o momento........para aproveitar sempre.......sempre....sempre....!!!
 
Quero levar uma vida cheia
Espero que a noite tenha tido fim..... aliás, como tudo.......
 
 
Saudações de uma amiga doente crónica com 33 anos , que tem encontro marcado com os Deuses, e espera de alguma forma ter pacificado o seu espírito ,
 
Maria Isabel Malveiro
 
Caríssima Isabel,
Não tenho palavras.
O ensinamento que o seu texto me dá é precioso e marcou-me para sempre, posso garantir-lhe.
A admiração que tive por si e pelas suas palavras, não a posso descrever, porque estaria a mentir se dissesse que sei do que fala.
Mas sentir a sua força de vida, a sua imensa capacidade de amar e querer viver cada segundo, e ao mesmo tempo essa aceitação de que a morte, como muito bem diz, tem dia marcado para todos nós, deixou-lhe sem respiração.
Admiro a sua coragem e a sua dignidade.
E vergo-me humildemente perante o ser humano que é, eu que sou apenas uma mulher assustada com a vida.
Tenho a certeza que está rodeada de pessoas que reconhecem a sua grandeza de alma.
Por mim, e para sempre, muito obrigada.
 
Luísa Castel-Branco
 
 
publicado por Luísa Castel-Branco às 11:40
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7 comentários:
De Rosa Maria (Braga) a 21 de Novembro de 2007 às 23:57
Não há palavras para comentar tal leitura. É de cortar a respiração. Coragem miúda.


De Inês Berti a 22 de Novembro de 2007 às 12:28
Encontrei-me com os vossos comentários por acaso. Não resisti a participar. Morreu-me ontem um amigo com cancro...como já me partiu um pai e outros, e mais outros que sei que aguardam a sua vez. Desejo que vivam feliz e intensamente os que se angustiam com essa cruel espera. E que não sofram...é horrível acompanhar, muito mais será viver essas situações.
Inúmeras vezes me senti abandonada pelo destino, trapaceada pelas emoções, no chão mesmo...por coisas tão menores, tão insignificantes ao pé da verdadeira dor... O meu conselho: sejam psicólogos de vós mesmos, observem-se e consultem-se, valorizem-se e dêem valor aos realmente bons que vos cercam. E sejam optimistas...A minha vida não era fácil (nada, mesmo!), mas o sofrimento e as angústias tornaram-me forte, resistente e ensinaram-me a gerir os sentimentos com serenidade, encheram-me de objecivos atingidos e sonhos agendados e ajudaram-me a entender que a justiça depende apenas do tempo que tudo repõe na sua devida ordem, nem que seja já noutra dimensão. Porque eu acredito que ainda tomaremos todos juntos um cafézinho um dia, seja lá onde for...

Inês Berti


De paula_tavares a 22 de Novembro de 2007 às 13:40
Isabel:
o seu depoimento é profundamente tocante na alma! Mas quero, antes demais, dar-lhe a minha esperança! Todos nós de uma maneira ou de outra, temos encontro marcado com a morte ou antes, encontro marcado com o nascimento para outra dimensão. Nós somos eternos! Depois, Isabel, ainda tem algumas coisas a seu favor! Agarre-se a elas! Tem a juventude, tem aqueles que a amam, aqueles que pedem por si a Deus e tem também a nós, aqueles que leram as suas palavras cheias de angústia! Não está só! Nós nunca estamos sós, mesmo quando nos sentimos no fundo de um poço bem fundo que mal nos deixa ver a luz! Mas é uma Luz maior que temos que procurar! Aquela Luz que nos permite sair da escuridão, da depressão, do sofrimento, da desesperança! Acredite! Mesmo quando todos lhe dão o pior dos diagnósticos, acredite que é possível o retroceder na doença, que Deus é Grande, Enorme e tudo pode, tudo consegue, tudo dá! Somos seres fragéis, acima de tudo carentes de afectos e amor! E quando não aguentamos mais na alma, o corpo também sofre! Só quando o corpo começa a sofrer, é que entendemos que a verdadeira vida, está em amar melhor, em perdoar, em esquecer, em tolerar, ser paciente, compreensivo... e vamos enverdando por outros caminhos, por outros atalhos... Também eu um dia tive uma sentença dessas, chamada meningite! Mas sobrevive, graças a Deus! Graças a quem rezou por mim e graças aos que já tinham partido á minha frente! Graças aos médicos, aos enfermeiros e a quem derramou muito amor em mim! O Amor é verdadeira cura! Amor sem condições! Rezarei por si e não lhe conhecendo o rosto, poderei citar o seu nome - MARIA ISABEL MALVEIRO - para que Deus não se engane e a oração não se perca! Força amiga! muita força! Há-de conseguir! Acredite em si, nas suas potencialidades! Há sempre uma força escondida no recôndito do nosso ser! fique bem, ma medida do possível!


De dulce a 22 de Novembro de 2007 às 17:16
Isabel, o seu texto é deveras comovente. Consegue penetrar na alma de qualquer um, mesmo num mundo virtual como é a net. Repito algumas palavras da LCB: tenho que me vergar sob a pessoa que é, sob a força e coragem que demonstra ter. Um grande bem haja.


De Tomás a 23 de Novembro de 2007 às 00:45
Espreitei este blog por engano. Já diz o povo, sabedor quanto a mim, "há bem que vem por mal".
Todas as regras têm excepções. Se perder a batalha com o cancro é a regra... vence-la será a excepção.
Não acredito em Deus...nem que a fé cure. Mas sou respeitador e respeito quem assim o pensa…e sobretudo quem consegue ultrapassar casa dia apenas por ter essa crença.
Mas também não acredito apenas na ciência...acredito que temos que ser bafejados com sorte! Sorte de um diagnóstico rápido…no médico…no apoio da família…etc.
A minha avó morreu com 86 anos... fumou a vida inteira (desde os 12)... morreu de velhice e de uma forma extraordinariamente digna.
Depois contam-nos casos em que crianças têm cancros... jovens como eu, na casa dos vintes, morrem de cancro de pulmão...etc.
O que não consigo encaixar... são as pessoas que continuam a fumar e a cometer excessos diários quando vêm a família e amigos a desaparecerem, na efemeridade da vida, mais depressa que uma torre feita com um baralho de cartas.
Tenho apenas 25 anos, e apesar deste quarto de século que já levo no bucho, continuo a sentir-me uma formiga quando lido com a doença...mesmo com a dos outros.
Quando tinha 14 anos foi-me diagnosticado um possível cancro… teria que aguardar 6 dias pata que os exames afastassem ou confirmassem essa possibilidade. Para mim pareceram anos… para o meu pai… séculos certamente. Lembro-me que chorei os 6 dias…e mais alguns depois de ter sabido que era benigno. A minha mãe nunca soube…jamais iria recuperar… já lhe chegou ver o meu irmão morrer.
A doença não mata…vai matando…devagar. É esse, para mim, o maior drama do cancro. Já perdi família, amigos e colegas. Mas de todas essas mortes, as mais difíceis de recuperar foram as do cancro.
É difícil deixar ir…é difícil ver a qualidade de vida desaparecer… o sofrimento a aumentar… a vida a esvair-se contra a nossa vontade. É difícil dizer adeus sabendo que será a ultima vez… ver alguém à beira de perder um último resto de dignidade com que ainda vivia…entrar num quarto e ver uma pessoa de olhos fechados…e ter que fingir muitas vezes que está tudo bem…quando, de facto, está tudo mal. É difícil ver alguém que lutou a vida inteira…estar dependente de outra pessoa para beber água ou para ir à casa de banho.
Concordo com uma frase do Woody Allen “Não tenho medo de morrer…apenas não quero estar presente quando isso acontecer”.
No entanto... todas estas coisas fazem-nos reflectir… mudar modos de vida… dizer ás pessoas o quanto as amamos…acordar mais cedo e deitar mais tarde…sermos melhores com os outros… sermos melhores maridos… e sermos melhores pais. Se isso acontecer… alguma coisa vamos aprendendo com a vida!
Um forte abraço a todos aqueles que se debatem com a perda de alguém com cancro.


De Maria de Lurdes Silva a 23 de Novembro de 2007 às 16:15
Olá Luísa e especialmente Mª Isabel Malveiro. Também eu, com 34 anos, sofro de uma doença crónica, um linfoma, mas daí a considerar que tenho a minha hora marcada, vai muito. O que tenho marcado é cada dia que nasce, que tem de ser vivido a 100%, que esse é particularmente importante. Quanto ao resto...todos temos a nossa hora marcada, mas não vamos querer pensar nisso...isso acabaria por toldar a nossa visão do dia-a-dia e deixaríamos de viver, passaríamos a sobreviver.


De joselessa a 23 de Novembro de 2007 às 20:35
Boa noite Isabel.
Rendo-me as tuas palavras. Tens um caminho percorrido, curto é verdade mas o suficiente para teres o discernimento e a lucidez aqui bem explícitos .
Tambem eu tive uma ( Ana ) Isabel que partiu, estava em Angola numa Guerra que eu não queria mas que me obrigaram a participar durante 27 meses, eu que fui na incerteza do regresso, vi partir a "minha menina" sem lhe poder ter dado um simples beijo de despedida.
Todos temos um caminho a percorrer, uns mais longos que outros mas sou dos que acredita que aqui, na Terra é que é o inferno.
Não tenho medo que o meu dia chegue, difícil é ver partir um filho, essa não é a lei normal da vida.
Para ti que passas a ter um espaço no meu coração fica com a certeza que nunca irei esquecer as tuas palavras aqui escritas.
Se desejares, podes escrever para o meu E-mail e conversar sempre que te apeteça.
Um beijinho no teu coração,
José Lessa josemarialessa@hotmail.com )


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