Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

Desafio Nº7 – Como sobreviver ao Natal

 Não me interpretem mal, porque se há alguém que adora esta época sou eu.
A criança que existe dentro de mim, e para mal dos meus pecados muitas vezes anda para ai à solta, foge e perde-se de amores por todos os brinquedos, as decorações, as cores espalhadas pela cidade, enfim, é como se eu tivesse permissão de uma vez por ano ser pequenina novamente.
 
Mas o Natal é muito mais do que o sentimento que transportamos dentro de nós, a maior parte das vezes repleto de memórias da nossa infância.
 
É antes de tudo, e por muito que nos custe a aceitar, um teste enorme à nossa resistência!
 
Longe vão os tempos em que as festas eram simples, os presentes idem até porque não havia por onde escolher, e a coisa se passava no conforto do lar sem grandes turbulências.
 
Agora, temos as famílias, as novas famílias, os meus os teus e os nossos.
E para culminar tudo isto, o dinheiro está cada vez mais caro e a lista de presentes cresce todos os anos porque mesmo com o problema nacional da natalidade, a verdade é que aparecem bebés aos montes, e a lista que fazemos daquilo que temos que comprar é assustadora.
 
Depois, sobreviver a esta época festiva tem que se lhe diga!
Em muitos casos, felizes das que não estão incluídas neste lote, é a altura do ano em que temos que gramar com familiares com quem não temos o mínimo de intimidade, nem conversa possível.
 
E depois existem ainda os outros, aqueles de quem verdadeiramente gostaríamos de estar a léguas e não pode ser, e lá vamos nós sentarmo-nos à mesa na Consoada, no Dia de Natal e por vezes no Fim do Ano ou no dia de Ano Bom, sorrisos postiços no rosto e toca a andar que é Natal!
 
Se as festas são em nossa casa, é uma canseira! Quando recorremos a comprar a comida feita, ao depararmo-nos com a conta, não há espírito que resista!
Se somos nós mesmas a avançar para a cozinha, a decorar a casa, a alimentar o sonho do Pai Natal aos mais pequeninos ou a aturar a neura dos nossos queridos adolescentes, quando finalmente chega a grande noite, estamos tão esgotadas que perdemos as estribeiras pela mais ínfima razão!
 
Para as que me lêem e sabem o que são as festas partilhadas entre a nossa casa, a casa do Pai dos nossos filhos que por vezes já tem também outros filhos, e o nosso novo parceiro que também vêm acompanhado pela prole, então a única forma de superar este teste é muito chá de camomila ou um Lexotan ou Xanax!
 
Porque quando toda a gente sai a nossa querida casinha parece que sofreu um tremor de terra, porque já não aguentamos as dores nas costas e a garganta apertada por não termos respondido a quem de direito!
 
Por isto tudo e muito mais, o meu desafio para vocês e para mim, também, é apostarmos em como vamos ser capazes de sobreviver a este Natal!
 
Aqui vão algumas dicas:
 
  1. Presentes – Abuse das lojas dos chineses. Tenha consciência que os seus filhos, enteados e todos os outros adolescentes não gostam nunca de nada por isso aposte num cheque-oferta da Fnac ou da H&M, por exemplo. Ao menos a má cara demora menos tempo!
  2. Presentes para os mais velhos – Se tem tempo e jeito aposto nas coisas feitas por si (nem que seja uma pega para a cozinha). Como quase de certeza que não tem tempo então refugie-se nos chocolates evitando as tias com diabetes!
  3. Comida e quejandos – Faça fácil é a palavra certa! Borrife-se para o Peru que ninguém gosta, e vá em frente, faça pratos que podem estar prontos de véspera. De qualquer forma eles vão refilar!
  4. Sobremesas – Se tem jeito, tudo bem. Senão, antecipe-se uns dias e ataque os supermercados na secção de congelados! Dos maravilhosos pastéis de nata até bolos prontos a ir ao forno, há de tudo!
  5. Decoração – Aposto que ainda não teve tempo de fazer a sua arvore, mais o presépio. Mas hoje tem à venda nas lojas mais baratas, desde velas a centros de mesa que podem enfeitar a sua casa por pouco dinheiro.
  6. Disposição – Olhe ao espelho e fabrique um sorriso numero dois. Pratique e não o tire da cara até cair na cama
  7. O seu parceiro – Existem dois tipos distintos. Aqueles que não estão nem aí e só se sentam à mesa, e os outros que querem ajudar e têm imensas opiniões sobre tudo. Deus nos dê paciência para qualquer um deles e por favor, não se esqueça que as épocas de maior stresse e com conduzem a mais divórcios são, imagine só, as férias e o Natal!
 
Vamos a isto que nós até somos o sexo forte!
 
Um abraço, e até para a semana.
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publicado por Luísa Castel-Branco às 11:14
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8 comentários:
De Mário Rui Santos a 5 de Dezembro de 2007 às 21:50
E porque é que temos de entrar nesta dinâmica de "sobreviver" ao Natal, será que não podemos "recriar" o Natal. Talvez seja menos doloroso para toda a gente.


De Luísa Castel-Branco a 10 de Dezembro de 2007 às 16:09
Sem duvida. E quem o puder fazer deve mesmo ir em frente. Mas infelizmente sobra muita gente que não tem essa hipótese .
Mas, se calhar um dia a realidade será essa, um novo espírito de Natal. Quem sabe?


De zeca a 7 de Dezembro de 2007 às 15:14
não podia ser melhor desmontado, parabéns . bjs


De Fátima M a 7 de Dezembro de 2007 às 16:11
Ai, Luísa, Luísa...
O seu artigo fez-me sorrir...a primeira parte (a da criança que se solta dentro de nós) é a minha cópia... de tal modo que tenho o desejo de passar a Lua de Mel na Lapónia, mais concretamente na aldeia do pai Natal! - Já agora, para não pensar que tenho 15 anos, informo que tenho 42 e este (se for) será o meu segundo casamento!
Depois... depois vem a parte dolorosa, sabe é que não tenho memória de mais de 2 ou 3 Natais passados em paz e harmonia. Não sei muito bem porquê, mas especialmente o meu pai, sempre fez questão de conseguir arranjar mau ambiente especialmente para a noite de Natal. Durante vários anos tentei, tentei acreditar que nesse ano é que era... mas não era... e este ano resolvi que não vou sofrer no Natal. Acabou-se! Tenho aprendido com a vida que é possível evitar muitas das coisas que nos fazem mal. Acho que é preferível ter coragem e como se costuma dizer "cortar o mal pela raíz " do que acreditar em espectativas de paz e harmonia que não se vão realizar nunca...
Recuso-me a por o sorriso de plástico, a comprar presentes por atacado e a acordar na manhã de 25 com as lágrimas a correrem-me pela cara...
Já agora, permita-me discordar completamente no que toca os presentes das lojas dos chineses. Não quero mal nenhum aos chineses, mas quero muito bem à indústria nacional e faço um esforço para comprar produtos nossos...nomeadamente têxteis, uma vez que esta indústria está de rastos...mas, como lhe disse anteriormente, detesto comprar presentes por atacado, tento que os presentes sejam o mais simbólicos possível, havendo muitos que são feitos por mim...
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Ai, Luísa, Luísa... <BR>O seu artigo fez-me sorrir...a primeira parte (a da criança que se solta dentro de nós) é a minha cópia... de tal modo que tenho o desejo de passar a Lua de Mel na Lapónia, mais concretamente na aldeia do pai Natal! - Já agora, para não pensar que tenho 15 anos, informo que tenho 42 e este (se for) será o meu segundo casamento! <BR>Depois... depois vem a parte dolorosa, sabe é que não tenho memória de mais de 2 ou 3 Natais passados em paz e harmonia. Não sei muito bem porquê, mas especialmente o meu pai, sempre fez questão de conseguir arranjar mau ambiente especialmente para a noite de Natal. Durante vários anos tentei, tentei acreditar que nesse ano é que era... mas não era... e este ano resolvi que não vou sofrer no Natal. Acabou-se! Tenho aprendido com a vida que é possível evitar muitas das coisas que nos fazem mal. Acho que é preferível ter coragem e como se costuma dizer "cortar o mal pela raíz " do que acreditar em espectativas de paz e harmonia que não se vão realizar nunca... <BR>Recuso-me a por o sorriso de plástico, a comprar presentes por atacado e a acordar na manhã de 25 com as lágrimas a correrem-me pela cara... <BR>Já agora, permita-me discordar completamente no que toca os presentes das lojas dos chineses. Não quero mal nenhum aos chineses, mas quero muito bem à indústria nacional e faço um esforço para comprar produtos nossos...nomeadamente têxteis, uma vez que esta indústria está de rastos...mas, como lhe disse anteriormente, detesto comprar presentes por atacado, tento que os presentes sejam o mais simbólicos possível, havendo muitos que são feitos por mim... <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Beijios</A> já natalicíos da <BR>Fátima M


De Luísa Castel-Branco a 10 de Dezembro de 2007 às 16:24
Cara Fátima,
Também eu não gosto de presentes por atacado. Mais, para mal de quem me rodeia, há mais de doze anos que qualquer presente que eu ofereça é sempre feito por mim.
Mas ainda que tenha razão sobre a sobrevivência do industria têxtil , a verdade é que para muito boa gente, os chineses, lojas do Euro, etc. e tal, são a única hipótese de conseguir fazer face à despesa !
Quanto ao seu Pai, ainda um dia conseguirei entender porque razão em tantas e tantas famílias , há sempre alguém que escolhe esta data para tornar o ambiente insuportável e toda a gente infeliz!
É mais um mistério do Natal!
Mas tem toda a razão em dar o salto.
Quando verificamos que é de todo impossível tornar os outros felizes, então que nós não nos transformemos na causa da infelicidade de quem amamos, por ficarmos reduzidos a lágrimas .
O poder que um Pai ou uma Mãe têm na chantagem emocional não tem dimensão e não acaba nunca!
Um abraço e boas Festas.


De Anónimo a 8 de Dezembro de 2007 às 18:34
BOA ideia......COMO SEMPRE COM UM ESPIRITO DE GENTE PRÁTICA.....VOU SEGUIR OS SEUS CONSELHOS......E JÁ AGORA..

BOM - NATAL E UM ANO CHEIO DE COISAS BOAS, A COMEÇAR..COM SAÚDE

LUISA VILLAS-BOAS


De Luísa Castel-Branco a 10 de Dezembro de 2007 às 16:28
Os mesmos votos para si e tem toda a razão, a saúde é o que mais importa!


De 550 a 16 de Dezembro de 2007 às 11:30
Saudações Natalícias!
Eu sou uma eterna criança, não só no Natal.
Vivo o Natal todo o ano. Começo a prepará-lo muito cedo, por isso, a confusão do Natal não me preocupa. Somos muitos! Juntamo-nos para darmos prendas melhores. Só às crianças e aos que não têm filhos. Como durante todo o ano já fazemos tanta comida, no Natal não estranhamos. Só que não há horários a cumprir. Só o da meia-noite para abrir os presentes. Mágicos. Porque somos atentos e porque percebemos o que querem receber e que lhes faz falta. Realmente há alegria por aqui. E Paz! Muita. Felizmente a Saúde também tem sido uma convidada que não falha... E tudo corre bem. Em volta da árvore enorme de Natal, (artificial), do Presépio em cima do musgo fresquinho apanhado no campo. Como tudo se ajeita, cada um traz um ou dois docinhos. E que docinhos. Típicos, claro! E o peru? Enorme! Criado de propósito para este dia, por uma vizinha, a pedido e de confiança. Sorte... Acompanha com castanhas, couves de bruxelas e/ou grelos, batatas no forno e um arrozinho soltinho, de pinhões. Há bacalhau para todos os gostos: alto, fino, caras (as minhas favoritas), cozido com couves e batatas. Como lêem, tudo é possível quando há diálogo e todos colaboram. Este ano seremos 20. Tudo família. E chegados. Os que não vêm, dispensam o barulho e nós dispensamo-los... Têm o direito a ter um Natal a seu gosto. Diferente do nosso barulheeeento . OhOhOh , diz o Pai Natal que não desce a chaminé, porque está tapada pelo exaustor, mas que aparece sentado na poltrona da sala, sem ninguém ver...


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