Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Amiga diga BASTA!

Cara Luísa, Boa Tarde

 

O meu nome é ...., tenho apenas 28 anos, ainda sou muito nova e com extrema falta de experiência comparada consigo.

Eu costumo ouvir a prova oral todos os dias, e é claro no dia em que a Luísa lá esteve também ouvi. Também via na SIC Mulher o programa Elas sobre Eles (acho que era assim) com a Guida Maria (actriz que prezo muito), a Solange e a apresentadora que não me lembro o nome.

Acho muito bem que deve ter o seu programa de rádio - especialista em coisa nenhuma.

Por considerar que a Luísa tem muita experiência e por ter ficado a saber que tinha um blog tipo consultório, venho expor o meu problema.

Tal como disse eu tenho 28, e o meu companheiro com quem vivo há quase três anos tem 35, e uma filha de um anterior casamento com 14.

Ultimamente temos tido diversos problemas na nossa relação. Ele teima em dizer que a filha é a sua prioridade e eu considero que tal numa relação assim, não é algo muito bom. A última discussão e se calhar vai ser a última mesmo, teve a ver com as férias. Ele simplesmente sem me dizer nada disse à filha para ter as duas semanas de férias no Verão connosco no Algarve. 1º Eu não quero ter duas semanas de férias com a filha dele (não consigo, é algo que está fora do meu controlo), 2º ele deveria ter-me perguntado qualquer coisa acerca do assunto.

Estarei eu certa ou errada?! Por mim, ele poderia dizer-me que quer ter duas semanas de férias com a filha, eu não ficaria tão chateada.

Ele ia de férias com a filha e principalmente teria todo o seu tempo para a sua filha.

Assim, serão duas semanas em que me diz que não nos podemos beijar à vontade por causa da miúda, não poderemos passear, por causa da miúda, não poderemos ir a um bar, uma discoteca ou qualquer coisa por causa da miúda. Basicamente tenho umas férias de "......" por causa da miúda.

O que é certo é que pelo que me parece, ele diz sempre que a filha está em primeiro lugar, contudo eu acho que ele não consegue estar a sós com a filha mais do que um par de horas. Quando eu não estou em casa ao fim-de-semana, ele não vai buscar a filha para estar com ela, prefere ir à pesca, ou trabalhar até mais tarde.

Qualquer coisa que seja necessária para a filha tenho de ser eu a resolver, nem sequer as malditas das prendas no Natal (detesto comprar prendas no Natal, mas isso é outro assunto), tenho de ser eu a escolher e a comprar.

Francamente, eu não sei o que fazer e o pior é que me sinto totalmente à nora.

Os meus amigos ainda nem sequer casaram, quanto mais ter uma relação deste tipo, os meus pais são demasiado antiquados e não aprovam a minha relação. E eu não sei a quem pedir conselhos simplesmente.

Será que há solução?! Será que sou eu que sou demasiado egoísta e quero o meu namorado só para mim? Tenho a certeza que já passou por uma situação semelhante, ou pelo menos conhece alguém que tenha passado.

Obrigada, pelo menos escrever este mail já foi um desabafo para mim.

Beijinhos

 

Minha Amiga,

Em primeiro lugar é realmente dificil estar numa relação em que existem filhos do casamento anterior.

Depois, uma rapariga com 14 anos é uma dor de cabeça para os pais, quanto mais para a "madrasta" ou lá o que ela lhe quiser chamar.

Quanto ao seu namorado/companheiro/marido o que lhe quiser também chamar, ele tem toda a razão: a filha deve ser a prioridade da vida dele.

Porque dito desta forma fica bem e dá-lhe o aspecto de pai presente e etc e tal.

Mas, pelas suas palavras, é claro que esta presunção se baseia no seu papel. E lamento dizê-lo, a atitude do senhor é tipicamente masculina: fazer de bonzinho à conta do trabalho da pobre que está ao seu lado!

Sejamos sinceras. É fundamental aceitar que numa relação quando existem filhos de um dos lados, a coisa é mesmo barra pesada.

E garanto-lhe que não tem a ver com a sua idade, todas nós acreditámos que podiamos fazer o melhor do mundo para a relação ser feliz, nem que isso implicasse "aguentar" até ao limite as exigências deles e dos respectivos filhos/as.

Mas um dia a coisa acaba sempre por rebentar, ou quase sempre, porque existem histórias felizes.

Dizem respeito às poucas mulheres que souberam desde o inicio definir as regras.

Ora voltando a si.

Perguntas dificeis:

1. Gosta dele? Com amor?

2.Se a resposta for sim, ou pelo menos um talvez porque está ferida e doi responder, então vamos em frente

3. É urgente exigir uma conversa a dois. E caso ele tenha a tendência tão masculina de detestar falar, e quando muito limitar-se a ouvir, não vá nessa. Exigia mesmo por os pontos nos is!

4.De seguida, diga-lhe exactamente quais as suas condições para continuarem juntos.

5.Não se esqueça de dizer-lhe o quanto o admira pelo amor que ele tem à filha, que o olha com um enorme orgulho, e tudo o resto que se recordar( mesmo sabendo que foi à sua custa que ele anda a fazer isso!)

6.Controle a sua raiva. Perde a razão se começar a desfiar todo o role do que fez, e do que ele não fez.

7.Seja racional. Se for necessário escreva antes num papel as ideias para as alinhar

8.Coloque o focus da conversa no que quer para si e para os dois, não o que não quer em relação à filha dele. Pode parecer o mesmo mas não é.

9.Seja simples. Os homens perdem-se quando falamos porque têm pouco a nenhuma paciência e capacidade para memorizar muita coisa ainda menos.

10.Diga o que quer. Não sei se estou errada mas o que você deseja é o mesmo do que qualquer mulher deseja numa relação, a saber: Ser amada e respeitada.

11.Traduzindo por miudos, e volto a dizer seja simples, basta falar da questão que refere das férias. Diga NÃO às férias com a filha dele, marcadas sem o seu conhecimento. Mas diga-o de forma directa e firme e como o primeiro passo para uma mudança radical na vossa relação, senão não vale a pena.

12.Pense bem no seu dia a dia e reveja com cuidado o que quer alterar.

13.Seja realista. Não vale a pena tentar obter o impossivel.

Dito isto tudo, tenha cuidado com o passo que vai dar.

Pense que tem que estar disposta a pegar na mala e sair se ele disser não, ou se tudo continuar na mesma.

Porque não vale a pena gastar a sua vida numa relação que não leva a lado nenhum.

Porque minha querida, a vida é mesmo curta.

E é humano errar.  E se tiver que dar razão aos seus pais e aceitar que cometeu um erro no amor que dedicou a um homem, isso em nada a diminiu, bem pelo contrário.

Muito provavelmente vai acontecer-lhe mais vezes na vida. E é isso qu se chama viver.

Volte sempre. Pelo menos diga-me se sempre arranjou coragem para a conversa e que tal correu.

publicado por Luísa Castel-Branco às 21:39
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Vox pop - E viva Campo de Ourique e as histórias felizes!

Fui lá armada em esperta. A intenção era saberm se aquelas mulheres que ali trabalhavam no Mercado de Campo de Ourique tinham sequer sabido da comemoração do Dia Internacional da Mulher.

E não é que todas, apenas uma excepção, tinham recebido presentes, eram casadas há mais anos do que imaginamos que ainda existam casamentos em Lisboa ?!

Toma lá Luísa para aprenderes!

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