Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Boa noite

 
Estou a passar por uma depressão e por uma gravidez ao mesmo tempo.
Já estou no sétimo mês e embora já me sinta um pouco melhor, há dias muito difíceis, como hoje.
Estava perdida em frente ao computador, a tentar organizar a minha festa de aniversário(faço anos no sábado), quando fui parar ao seu Blog.  Quando li a sua descrição da depressão no texto de 16 de Novembro veram-me as lágrimas aos olhos.
 
Há tanta gente que já pasou por uma depressão, no entanto o sentimento que nos acompanha é o de solidão, de estarmos sozinhos e culpa, muita culpa. Já não consigo contar o número de vezes que pedi desculpa à minha bébé. Eu devia sentir-me bem e feliz para ela se sentir também assim. Em vez disso sinto-me triste, muito triste.
 
Estava a precisar de desabafar, e como com o meu companhero já desisti, aproveitei este cantinho.
 
Obrigada,
 
Sofia

Querida Sofia,

E não é que fazemos anos no mesmo dia?

O que quer dizer que voçé é Carneiro, signo de fogo e de muitas duvidas e sobressaltos de alma.

Mas, para quem não acredita nestas coisas, eu tenho mais uma "coincidência" algo que para além do nosso dia de aniversário nos une.

Também eu tive uma enorme depressão quando estava grávida do meu segundo filho.

Santo Deus, como me sentia culpada!

E claro, que se hoje em dia depressão ainda é coisa de mulher histérica, imagine há 27 anos atrás!

Mas, minha querida, a primeira pergunta que lhe coloco, com conhecimento de causa é se já falou com o seu médico/a sobre o assunto, se está a ser acompanhada, se faz terapia ou não.

Claro que estamos a falar de algo que custa dinheiro, mas a terapia permite-nos falar com alguém sem entraves ao choro, sem que essa pessoa esteja ligada a nós e por isso mesmo o psicologo ou outro profissional é a pessoa ideal para ajudar.

A depressão, ou melhor, os estados depressivos podem ser causados por algo concreto e determinado, ou pura e simplesmente ser algo para o qual temos tendência e muitas vezes uma carga hereditária.

Vai levar ainda muito tempo para que as pessoas em geral percebam bem o que é este suplicio, entre ataques de pânico e ataques de choro.

Mas querida Sofia, o importante é que NÃO PODE NUNCA culpar-se a si mesmo por algo que o seu fisico e o psiquico lhe trouxeram.

O seu filho , não sei se é o primeiro, vai ser feliz e você vai ser uma óptima Mãe.

Tem que se aceitar, e se o seu caso for igual ao meu, esses peridos de depressão podem acompanha-la o resto da vida.

Por tudo isto, era importante que comprasse um livro sobre o assunto, sinto muito mas não sei qual lhe indicar.

Mas vá a uma boa livraria e procure.

O livro servirá para si e para o seu marido.

Porque também é comum na depressão revoltarmo-nos contra as pessoas que nos são mais chegadas.

Tente fazer este caminho a dois.

Peça-lhe paciência e apoio, porque é disso mesmo que precisa.

E finalmente Sofia, dê um desconto a si mesma.

A culpa só nos leva mais para o fundo. Eu sei que é fácil de dizer e dificil de fazer.

Não dê a minima importância ás opiniões de toda a gente que a rodeia.

O que interessa é a opinião do médico, do profissional qualificado para tal.

E tenha a certeza que a vida lhe vai trazer muitos dias de sol.

Um grande beijo para si, e por favor vá dando noticias. Suas e do seu bebé.


Luísa

publicado por Luísa Castel-Branco às 14:49
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3 comentários:
De noémia a 10 de Abril de 2008 às 10:57
Acabei de ler este post sobre depressão por acaso, e lembrei-me que quando estava grávida da primeira filha, me senti muitas vezes sem chão, perdida, feliz e miserável. Nunca falei disso com ninguém. Ao meu marido pedia muito mimo, que ele me dava. Mas sentia-me sempre sozinha, ansiosa, com medo. A gravidez e o parto até correram bem, mesmo apesar disso.
Mas depois a minha filha chorava imenso e eu desesperava-me sozinha em casa com ela. Queria descansar não conseguia, porque ela não parava de chorar o tempo todo. Muitas vezes tinha que telefonar ao meu marido, que estava a trabalhar, para ir lá a casa porque eu tinha medo de mim mesma. Odiava-me e odiava a minha bebé que não tinha culpa de nada. Mas ao mesmo tempo amava-a muito. Fazia-lhe massagens, levava-a a passear, tentava dar-lhe mimo. Mas havia sempre algo estranho. Foi um alivio voltar ao trabalho.
Hoje a minha menina tem 4 anos, e é, como sempre foi, e como eu também sempre fui, uma criança difícil , complicada, ansiosa, medrosa, frustrada, cansativa, mas muito meiga e inteligente. Tem dias, como todas as outras crianças. No infantário cresceu muito. Comigo, tem dias que estamos sempre às turras, mas no fim, acaba sempre com um grande abraço.
Ás vezes penso que se tivesse tido uma atitude diferente quando ela estava na minha barriga, e quando nasceu, nos primeiros meses, ela poderia ser uma criança diferente, mais feliz.
Tenho dias que me apetece fugir. Mas fugir de tudo, de marido, filhas, trabalho, até de mim mesma. Talvez devesse procurar ajuda, mas o médico de família disse-me uma vez que isso passa tudo, não é preciso comprimidos.
Por isso, eu queria concluir dizendo que fugir do problema não é solução, nem sequer fingir que ele não existe. Temos que ganhar coragem para fazer alguma coisa. Mas nem sempre sabemos o que devemos fazer. Hoje em dia, com tanta informação acessível e facilidade em comunicar, nunca foi tão difícil estar informada e comunicar com os outros.
Beijinhos e muitas felicidades para todos os que lerem este comentário. E para os outros também.


De Ana a 17 de Setembro de 2008 às 14:50
Querida amiga,

Assumir que tem uma depressão é o 1º passo positivo.
Pedir desculpa...nunca, porque não tem culpa.
A minha experiência do que estamos a falar é longa...muito mesmo. Tenho tido ajuda de um amigo, o meu psiquiatra.
Ele é aquele a quem digo tudo o que sinto na alma. Nem todos somos perfeitos e sentimos coisas muito esquisitas estranhas.
Tente fixar os sonhos, pois levam ao motivo da depressão.
Não peça desculpa, pois certamente alguém lhe tem que pedir muita desculpa a si.
Quando se enfurecer, parta, faça muito barulho, porque a vai acalmar e tente não se ferir.
Ajuda a que não se parta por dentro como eu fiz a mim mesma.
Um Abraço
Ana
Não


De maria dias a 1 de Março de 2009 às 04:36
Já eu sou uma «profissional»das depressões:apesar de ter um optimo acompanhamento médico,de tomar anti-depressivos todos os dias,continuo a pensar que nunca me vou livrar desta doença.Claro que os meus filhos sempre me culparam,pelos meus silêncios,pelo meu desinteresse pelas coisas que seria normal valorizar,etc.O pai não lhes forneceu informação,ele próprio não se pronuncia,mas parece-lhe uma estratégia minha...para o afastar:quando na verdade ter o seu apoio explicito teria sido optimo!AINDA HOJE me sinto culpada....nem sei de quê:uma vez que proporcionei aos meus filhos toda a atenção,sem descurar as suas necessidades!As crianças vão a caminho dos 40 anos....ainda se queixam que a mamã é pouco disponivel!!!têm as suas familias organizadas. Tonta sei que sou:a culpa que sinto é apenas mais um sintoma da doença...mas que é muito pesada,lá isso é! não deixem arrastar as crises,os médicos de clinica geral nem sempre nos aconselham bem,perdemos tempo com medicamentos inadequados, quando chegamos junto de Alguem competente,as raízes são muito profundas...Sei que «é uma doença de luxo»como tanta gente diz:Teem razão--sai muito caro.Mas todas as doenças merecem alívio!! tratem-se o melhor que puderem:o sofrimento não vale a vida que se perde,durante os dias,tantos e tão negros.Ninguem dá valor a um sofrimento que não é visivel:tambem temos direito á dignidade;quando estou pior,ninguém me vê .quando saio á rua vou sempre impecável!!!por isso até há quem pense «que é tudo fita»..antes assim. fez-me bem desabafar.O isolamento é péssimo;porém, não consigo dizer nada disto a ninguem!!cuidem-se,enquanto é tempo. MARIA


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