Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Desafio nº 18 – Eu estou numa de introspecção. Que tal alinharem comigo?

 

 
Pus-me a pensar que raras vezes paramos para fazer o ponto da situação sobre a nossa vida.
Não falo daquela contabilidade dos afectos, do deve e haver entre o que depositamos nas pessoas que amamos e o retorno que recebemos.
Ou tomar o pulso ao trabalho, ou sequer como vai o nosso papel de Mãe, onde residem as nossas maiores dúvidas sobre o que fazer ou se fizemos bem ou mal.
Não, nada disso. Já vos disse, estou numa de introspecção e deu-me para isto. Apeteceu-me fazer uma lista das coisas da minha vida que mais gosto, e das que mais detesto. E depois de imprimir a folha, coloca-la na parede, na carteira ou seja lá onde for, e de vez em quando quero olhar para o papel e ver o que aconteceu de novo, o se tudo está igual.
 
Gosto do cheiro da terra molhada; gosto do perfume da pele da minha neta, o mais perfeito aroma do universo, gosto de me rir com os meus filhos por coisa nenhuma e sem contenção, gosto de algumas pessoas o suficiente para elas serem uma presença constante no meu pensamento, amo poucas pessoas, mas amo de forma total e irracional, sem limites, Gosto do cheiro da tinta fresca do jornal ou de um livro, daquela sensação de ser a primeira a abrir as paginas, a descobrir as palavras. Gosto da minha música mas gosto ainda mais do canto dos pássaros, do silêncio cheio de sons da mãe terra. Gosto da canção do vento, quando embala as arvore. Gosto de pessoas bem-educadas, com coração gentis e amáveis no trato com os outros. Gosto de todas as crianças, de perder-me a olha-las e a imaginar as vidas que têm pela frente. Gosto de conversar seja com quem for, mas nunca sobre terceiros mas sobre tudo o resto. Gosto de escrever todos os dias e fazê-lo sem sentido apenas porque é a maior evasão e a melhor forma de lutar contra todos os medos. Gosto de adormecer agarrada ao homem que amo e gosto de lhe saber os defeitos e qualidades e gosto que ele me saiba de cor. Gosto de ainda estar por cá, desta segunda chance que a vida me deu.
 
Não gosto de gente invejosa. Não gosto de calor, nem de praia no Verão. Não gosto de multidões e de festas em que se fala de trivialidades e dos outros, a vida é curta de mais para isso. Não gosto de não falar todos os dias com os meus filhos, mas tento pelo menos aguentar quarenta e oito horas e mais não consigo. Não gosto de pessoas que maltratam os outros. Não gosto da falta de respeito pelos menos afortunados e da bajulação aos poderosos. Não gosto de acordar com barulho, não gosto de comer. Não gosto da maldade seja qual for a forma que ela se vista. Não gosto de gritos, não gosto de gente falsa, sorrisos falsos, palavras falsas. Não gosto de ver o noticiário e ter medo do futuro, mais dos meus filhos do que do meu. Não gosto de quem não gosta de crianças e animais. Não gosto de gente mal agradecida. Não gosto do meu corpo. Não gosto de pensar em mim porque me vem o medo da morte. Não gosto de olhar para mulheres de plástico, esticadas e retocadas a fugir do tempo como se tal fosse possível. Não gosto de não poder ajudar tanta gente que precisa. Não gosto de quem sou e deste eterno desassossego de alma. Não gosto de pesadelos que me fazem acordar coberta de suor e por isso tenho medo do escuro.
Não gosto que alguém diga mal dos meus filhos. Não gosto de quem pensa que nos conhece mas tal não é verdade.
Não gosto dos abusos de poder que cada dia mais vejo por todo o lado. Não gosto de não gostar de tanta gente por lhes ter perdido o respeito.
 
Pronto, a minha lista está feita. Faça a sua.
Até para a semana.
publicado por Luísa Castel-Branco às 09:36
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12 comentários:
De sonia santos a 15 de Setembro de 2010 às 15:22
Sentimento Puro.. Identifico - me com tudo o que escreveu!!!

Felecidades Luísa!

Um beijinho
Sonia Santos


De emprestimo a 24 de Janeiro de 2011 às 15:19
Adorei o blog, conteúdo muito bem escrito, layout bacana com cores amigáveis. Vou aproveitar e adicionar o blog nos meu favoritos. bjs! Maria Cecilia


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Fui lá armada em esperta. A intenção era saberm se aquelas mulheres que ali trabalhavam no Mercado de Campo de Ourique tinham sequer sabido da comemoração do Dia Internacional da Mulher.

E não é que todas, apenas uma excepção, tinham recebido presentes, eram casadas há mais anos do que imaginamos que ainda existam casamentos em Lisboa ?!

Toma lá Luísa para aprenderes!

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