Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Desafio nº6 - Contem-me um momento feliz!

Eu sei que é estúpido, mas em momentos como este, em que a realidade me pesa, refugio-me nas memórias doces, nos pequenos momentos que ficaram gravados no meu coração como uma luz, ou uma pegada, para sempre.


E daí pus-me a pensar, que muitas das que me lêem podem neste momento estar a passar por algo semelhante.

Com razões mais ou menos graves, há momentos na vida que nos coíbem de tudo: de agir, de responder às solicitações do nosso tão pouco preenchido dia a dia, enfim, é como se fosse noite o dia todo, e a única coisa que nos apetece é esconder a cabeça por de baixo dos lençóis, fechar os olhos e esperar que passe.

 

Para quem, como eu, está a atravessar um destes “desertos de realidade” aqui fica um desafio: Pense num daqueles momentos doces e partilhe-o connosco, ou se não lhe apetecer, delicie-se sozinha a saboreá-lo.

É engraçado o poder que algo de positivo pode ter na nossa mente e na nossa vida.

É como se por breves momentos, respirássemos livremente e fugíssemos daqui para um local encantado.

Eu, invariavelmente, vou buscar as minhas boas recordações aos momentos passados com os meus filhos.

 

Vou partilhar convosco uma desses momentos:

Vivi sozinha com os meus filhos quase sete anos. E como nunca conduzi na vida, nem carta de condução tenho, arranjava sempre mil e uma formas de preencher o nosso tempo livre, com todas as condicionantes que esta situação acarretava. Verdade seja dita, que quando somos novas tudo é possível, e ainda hoje me admira as coisas que consegui fazer, mas nós, fêmeas, somos realmente todas de forças e capacidades verdadeiramente impressionares!

 

Mas, voltando ao assunto. Num dia frio creio que era Inverno, vivia eu na Rua dos Lusíadas, ali para Alcântara, decidimos fazer um piquenique.
Tinham acabado de abrir as primeiras lojas de conveniência, chamadas Extra, e subimos a rua, fomos até aquela que ficava ali, comprámos cachorros e Coca-Cola e batatas fritas e sentamo-nos no Jardim que era a dois passos.

 

A dado momento, já não sei como, a minha filha Inês entornou a Coca-Cola na saia de ganga e ficou com frio.

“Mãe, tive um arrepio! " - Disse ela e eu aproveitei para lhe ensinar aquela, expressão muito engraçada que os ingleses dizem quando acontece isso a alguém: “Somenone is steping on my grave” e expliquei-lhe a tradução: “Alguém está a pisar/passear na minha campa”.

A minha filha Inês sempre foi e é uma menina (para uma Mãe são sempre pequeninos!) calada e silenciosa.


Continuamos a comer, o Gonçalo com maionese e ketchup a escorrer pelos dedos e pela roupa, riamos e conversávamos quando a Inês diz com um ar muito sério: Mãe, um bando de turistas acampou na mina campa!

Ela teria então 10 ou 11 anos. Tiritava de frio e o seu rosto tinha o ar mais serio do mundo!

 

Retornámos a casa em passo acelerado e eu ainda tenho na memória, aqueles três rostos, as nossas gargalhadas e a minha filha, como sempre, com o seu ar sério e já amuado.

 

Que estupidez! Podia partilhar convosco milhares de pequenas historias muito melhores do que esta, mas que querem, hoje estar frio, eu estou triste e veio-o me à cabeça este episódio!

Faz bem à alma sorrir das memórias.
Façam o mesmo e partilhem comigo e com todas as outras leitoras as vossas!

Um abraço e até para a semana,


Luísa

tags:
publicado por Luísa Castel-Branco às 10:18
link | favorito
De meldevespas a 26 de Novembro de 2007 às 14:30
Também eu quando procuro cá dentro um bom momento, descubro-o sempre com as caras dos meus filhos.
Parece-me um bocado "down", por isso vou contar-lhe uma história divertida, que tem como protagonista o Zeca, o meu filho do meio, o único rapaz agora com quase 12 anos, mas que nessa altura deveria andar´aí pelos 7.
Fomos fazer um cruzeiro desses a Marrocos, e no dia de regresso, já enquanto esperávamos ordem de desembarque no porto de Lisboa, o Zeca estava sentado num dos bares do barco a jogar Gameboy. Nisto, senta-se ao lado dele um miúdo, todo muito bem aprumado, com ar de lisboeta de gema e um sotaque que confirmava isso mesmo.
Devo aqui salientar que nós somos alentejanos dos sete costados, e como tal existem certos toques no sotaque alfacinha que nos fazem torcer o nariz.
Vai daí que o rapaz começou a meter-se com o Zeca, no sentido de saber sobre o jogo, ao que o Zeca, sem jamais desviar o olhar do pequeno ecran do aparelho lhe diz em voz pausada:
- Epá...cheiras mal....
O rapaz calou-se por momentos, olhou-o de soslaio, mas na falta de mais comentários deixou-se por ali ficar e passado alguns minutos, resolveu tentar encetar conversa outra vez.
O Zeca, continuava na dele, seriamente debruçado sobre o jogo, e a fazer pouco caso do "hóspede", e aos avanços do outro rematou:
- Tu cheiras a cabras.....
O alfacinha espernegou os olhos e voou dali pra fora, deixando o Zeca, bem mais aliviado, e livre para o seu joguinho.
Deixe-me só dizer que toda esta cena foi presenciada por um casal amigo e não por mim, pelo que, não tive sequer oportunidade de dizer ao Zeca que não se deve dizer às outras pessoas que cheiram...a cabras...
Boa Tarde e boa semana de trabalho
Beijinho


De Luísa Castel-Branco a 10 de Dezembro de 2007 às 16:41
Amiga Alentejana,
Obrigada pela sua história. Veio plena de luz na planície .


Comentar:
De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 




posts recentes

Pois é, vem ai o Natal!

raquel disse sobre A dor ...

Ana Paula disse sobre Des...

Importa-se de repetir????...

Paula disse sobre Virgem ...

Sara disse sobre Virgem a...

Maria disse sobre Diário ...

Alexandra disse sobre DES...

sara disse sobre Negas a...

? disse sobre Diário de u...

Obrigada Maria

Negas ao sexo? Cuidado av...

Sobreviver a 2009

coisas q eu quero mudar e...

Sofia Diniz disse sobre A...

tags

todas as tags

arquivos

Dezembro 2011

Fevereiro 2010

Novembro 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

pesquisar

 
blogs SAPO

subscrever feeds